Netflix reduz meta de anúncios a US$ 2,7 bi e amplia programática
Netflix reduz a meta de anúncios de 2026 para US$ 2,7 bilhões e abre o inventário ao The Trade Desk. Veja o que muda para quem compra CTV e a programática.

A plataforma revisou para baixo a previsão de receita publicitária de 2026 e, no mesmo dia, abriu o inventário para compras via The Trade Desk.
A Netflix reduziu a meta de anúncios de 2026 de US$ 3 bilhões para US$ 2,7 bilhões. A revisão está na carta aos acionistas do terceiro trimestre, divulgada na terça-feira (20) após o fechamento do mercado americano. A empresa atribui o corte de US$ 300 milhões a uma entrega um pouco mais lenta que a prevista de alguns recursos do seu produto publicitário.
Mesmo com o ajuste, a companhia projeta que a receita de anúncios cresça mais de 80% no ano. A previsão original indicava que esse faturamento voltaria a dobrar em 2026.
Por que a meta de anúncios da Netflix mudou
Na teleconferência com analistas, o co-CEO Greg Peters citou atrasos na implantação de ferramentas e nas integrações com parceiros. A receita total do trimestre chegou a US$ 12,9 bilhões, alta de 12% na comparação anual, e a projeção para 2026 é de US$ 51,1 bilhões, crescimento de 13%.
O dado que mais pesou no mercado foi o engajamento. As horas assistidas cresceram apenas 2% no primeiro semestre, e a diretoria financeira admitiu não estar satisfeita com esse ritmo. As ações recuaram cerca de 6% nas negociações após o fechamento.
Programática ganha mais uma porta de entrada
No mesmo pacote, a Netflix informou que o The Trade Desk passa a ter integração do lado comprador a partir de novembro. Com isso, três DSPs poderão acessar o inventário da plataforma com segmentação programática: Amazon DSP, Yahoo DSP e The Trade Desk. A empresa diz que mais fontes de demanda aumentam a competição pelos espaços e as taxas de preenchimento.
Também foram apresentados o Netflix Pixel, que padroniza a medição de conversões e de brand lift e permite usar esses dados na segmentação, e melhorias na API de Conversões, lançada em março.
O que isso significa para quem compra mídia no Brasil
A carta não traz números por país, e não localizamos menção específica ao Brasil nos anúncios de terça-feira. Ainda assim, três pontos interessam a agências e anunciantes daqui.
O primeiro é negociação. Receita publicitária crescendo abaixo do plano, somada a mais DSPs com acesso ao mesmo inventário, dá ao comprador mais caminhos para chegar à Netflix e mais argumentos na conversa sobre CPM e volume.
O segundo é medição. Pixel próprio e API de conversões aproximam a plataforma do modelo de performance que já domina redes sociais e retail media. Isso pesa na hora de defender verba de TV conectada diante de meios com atribuição mais direta.
O terceiro é calendário. As integrações anunciadas valem primeiro para o mercado americano, e a disponibilidade em outros países depende de cada parceiro. Para quem fecha o plano de 2027, vale perguntar à Netflix e às DSPs quando o inventário brasileiro estará disponível nas mesmas condições.
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