Uma nova empresa de mídia OOH rodoviário nasce da Eletromidia, Motiva e EcoRodovias
Joint venture terá 51% da Eletromidia e prevê mais de 200 pontos de mídia digital e estática em 12 rodovias até o fim de 2027, com aval dos órgãos pendente.

Nova empresa vai explorar painéis digitais e estáticos em 12 rodovias concedidas, com fluxo diário acima de 4 milhões de veículos.
Eletromidia, Motiva e EcoRodovias anunciaram em 29 de setembro de 2026 a criação de uma empresa de mídia para explorar publicidade em rodovias. A Eletromidia terá 51% do capital, e Motiva e EcoRodovias ficam com 24,5% cada. O negócio ainda depende de aprovação dos órgãos reguladores e de defesa da concorrência, prevista para o fim de 2026.
A operação cobre, na primeira fase, 12 rodovias com fluxo superior a 4 milhões de veículos por dia, segundo as informações divulgadas pelas companhias. Entre as vias citadas estão Presidente Dutra, Sistema Anhanguera-Bandeirantes, Anchieta-Imigrantes, Castello Branco-Raposo Tavares, Ayrton Senna, Rodoanel Oeste, Fernão Dias, Washington Luís e Brigadeiro Faria Lima. A meta é instalar mais de 200 pontos, entre painéis digitais e estáticos, até o fim de 2027.
A nova empresa de mídia rodoviária em números
Como a empresa vai funcionar
A companhia nasce como plataforma aberta e sem operação prévia, com possibilidade de incorporar outras concessões e firmar contratos com terceiros. Os painéis seguirão as normas da ANTT e as orientações da Artesp, as agências reguladoras federal e paulista.
As empresas não divulgaram o nome da nova companhia nem o valor do investimento. Também não informaram o modelo comercial, como tabela de preços, formato de venda por ponto ou por rede, e se haverá oferta programática ou medição de audiência nos padrões do setor.
| Tema | Informado | Sem divulgação |
|---|---|---|
| Sociedade | Eletromidia 51%, Motiva 24,5% e EcoRodovias 24,5% | Nome da nova empresa |
| Escopo | 12 rodovias e mais de 200 pontos até o fim de 2027 | Valor do investimento |
| Formato | Painéis digitais e estáticos | Modelo comercial e tabela de preços |
| Venda e medição | Plataforma aberta, com possibilidade de incorporar outras concessões | Venda programática e medição no padrão do setor |
| Regulação | Aprovação prevista para o fim de 2026 | Posição dos órgãos de defesa da concorrência |
O que muda para quem compra mídia
O OOH rodoviário sempre foi um mercado de oferta fragmentada. Os pontos ficam espalhados entre concessionárias, proprietários de terrenos e pequenos exibidores, com pouca padronização de formatos e de dados de audiência. Quem planeja campanha na Via Dutra ou na Anhanguera costuma negociar ponto a ponto.
Uma operadora que reúna as principais concessões de São Paulo e vias de ligação com outros estados tem condições de oferecer inventário comprável em pacote, com preço e especificação comparáveis. Esta é uma leitura do Portal Meteoro, não uma informação das companhias. Se a base digital incluir venda programática, o que as empresas não confirmaram, o segmento poderia entrar no mesmo fluxo de compra do OOH urbano.
A comparação com o OOH urbano ajuda a dimensionar o ponto. Nas cidades, grandes exibidores já vendem redes de painéis em pacote. Na rodovia, a lógica predominante ainda é a do ponto isolado. Se a nova empresa replicar o desenho urbano, o anunciante ganha um caminho mais curto de compra. Também esta é leitura do Portal Meteoro, sem confirmação das empresas.
O peso dos acionistas ajuda a explicar a aposta. A Eletromidia traz a operação comercial e a base de anunciantes. Motiva e EcoRodovias entregam o acesso às faixas de domínio das concessões, que até aqui rendiam pouco como ativo publicitário. O CEO da Eletromidia, Alexandre Guerrero, atribuiu o momento ao movimento regulatório de rodovias em 2025, segundo o release divulgado.
O que ainda está em aberto
Há três pontos a acompanhar. O primeiro é a decisão dos órgãos de defesa da concorrência, que analisarão a concentração de mais uma frente de OOH na Eletromidia. O segundo é o modelo de medição: sem metodologia reconhecida pelo mercado, o fluxo de 4 milhões de veículos segue sendo apenas um dado de tráfego. O terceiro é a reação de exibidores concorrentes, que não se manifestaram nas matérias consultadas.
O cronograma também merece atenção. Com a aprovação prevista para o fim de 2026 e a meta de 200 pontos até o fim de 2027, a instalação ficaria concentrada em cerca de um ano depois da decisão. Se houver atraso na análise regulatória, a meta tende a ser a primeira a sofrer. Esta é avaliação da Redação.
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